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Empresas que viraram lenda

Guia Michelin: como uma fábrica de pneus criou o prêmio mais temido da gastronomia mundial

Guia Michelin: como uma fábrica de pneus criou o prêmio mais temido da gastronomia mundial

Em 1900, uma fábrica de pneus do interior da França lançou um livrinho gratuito para motoristas. Naquele ano, o país inteiro tinha menos de três mil carros. Mais de um século depois, esse mesmo livrinho decide quais são os melhores restaurantes do mundo, e chefs consagrados choram quando entram ou saem de suas páginas. Essa é a história do Guia Michelin, talvez a jogada de marketing mais bem-sucedida de todos os tempos, criada com um objetivo surpreendentemente simples: fazer as pessoas gastarem mais pneus.

A origem da Michelin: dois irmãos e um negócio quase falido

A Michelin, hoje uma das maiores fabricantes de pneus do planeta, foi fundada em 1889 na cidade de Clermont-Ferrand, no interior da França, pelos irmãos André e Édouard Michelin. A divisão de papéis era clara: André era o visionário do marketing, enquanto Édouard cuidava da fábrica. Os dois herdaram um negócio de borracha à beira da falência e decidiram apostar em uma tecnologia então revolucionária, o pneu desmontável, que podia ser trocado na estrada em poucos minutos, numa época em que consertar um pneu levava horas.

A aposta deu certo. A Michelin rapidamente se tornou um nome forte no nascente mundo do automóvel e, em 1898, criou o Bibendum, aquele boneco branco feito de pneus empilhados que é um dos mascotes mais antigos da publicidade mundial. Mas os irmãos enfrentavam um problema que nenhuma fábrica consegue resolver sozinha dentro dos próprios muros: o mercado era minúsculo. Pneu só desgasta se o carro roda. E carro, na virada do século vinte, era brinquedo de rico, uma raridade em um país sem estradas decentes e sem postos de gasolina. Não adiantava fabricar o melhor pneu do mundo se ninguém tinha motivo para dirigir.

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