O que é ser uma boa pessoa?
Esses dias um grande amigo me perguntou: “Mas Heitor, me diz, o que é ser uma boa pessoa pra você então?”
Eu disse que, nesse ponto, alguns cabeças dão as cartas na minha cabeça. Os grandes possuem opiniões divergentes, mas me influenciam: Platão, Aristóteles e Nietzsche.
Platão: conhecimento é virtude
A visão do mais old primeiro, ok? Platão. Ele diria que é uma questão sobre a natureza da virtude, a ideia que corporifica tudo que é moralmente bom. Se você quer ser bom, precisa saber o que é virtude.
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Sem spam. Cancele quando quiser.Saber é a chave, porque você não pode ser bom nem fazer coisas boas sem a noção do que é a virtude; uma vez que sabe, você não consegue deixar de fazer coisas boas. Nesse sentido, ele diria que conhecimento é virtude: você não consegue conscientemente fazer coisas ruins, porque, se sabe o que é bom, saberá por que é bom, que é bom para você assim como para todos os outros, e entender isso fará você agir de maneira virtuosa.
Mas, para realmente entender o que é virtude, você precisa entender o significado, que é uma espécie de perfeição, de modo que você não conseguirá encontrar nenhum caso à sua volta, pois nada neste mundo é perfeito. Assim, a virtude é um ideal, uma ideia que só podemos conceber e que só existe no mundo das ideias.
Para compreendê-la e descobrir o que realmente é, é preciso usar seus poderes de raciocínio. Se consegue entender a ideia de virtude, está no caminho de se tornar um dos caras bons.
Aristóteles: os exemplos estão no mundo
Já Aristóteles não aceitaria essa conversa sobre um mundo de ideias. Ele argumentaria que, se você quer saber o que é um cara bom, não deve ficar sentado pensando no assunto, mas olhar à sua volta: os exemplos estão no mundo, não em nossa mente.
Você sabe como são os dogs, certo? Como já viu muitos, sabe quais características os compõem: quatro patas, latidos, rabo abanando, fidelidade e amor incondicional, essas coisas. Isso também ocorre com caras bons.
Você não precisa de uma ideia mental sobre um sujeito perfeitamente bom; basta observar todas as pessoas que você reconhece como boas e identificar as ações que as tornam boas, virtudes como justiça, coragem, tolerância, generosidade. Aí você pode pintar um quadro do que é realmente um cara bom. Então você percebe que essas pessoas se tornaram boas fazendo coisas boas e, assim, você pode fazer o mesmo.
Nietzsche: não seja bom demais
Mas aí vem Nietzsche, e ele não estaria satisfeito com nada disso. Ele questionaria se as coisas que nos foram apresentadas como boas, geralmente pela religião, podem ser consideradas realmente boas.
O que há de tão bom em ser humilde e fraco? Essa é a moralidade de um povo oprimido, de escravos. E, se formos honestos, esse tipo de coisa faz considerarmos virtuoso ser frouxo.
E se aceitarmos como virtudes características como força, poder, habilidade, capacidade de conquista? Então revisaríamos nossas opiniões sobre quais são os caras bons.
Agora pense na razão para você querer ser um cara bom: é porque deseja se sentir melhor consigo mesmo ou busca ser admirado pelos outros? Motivações bem duvidosas e que não farão de você um cara bom (porque apenas querer se livrar da culpa ou ser admirado não é bom), mas apenas alguém que parece ser.
Acho que o maior conselho de Nietzsche seria: aquele que quer dar um bom exemplo precisa acrescentar um grão de insensatez à sua virtude; assim, os outros podem imitar e, ao mesmo tempo, elevar-se acima daquele que está sendo imitado, algo que as pessoas adoram. Portanto, a visão dele seria: não seja bom demais, você não ganhará nenhum amigo com isso.
Platão, Aristóteles ou Nietzsche?
O fato é que você pode seguir Platão e pensar sobre um cara ideal que gostaria de ser, ou seguir Aristóteles e imitar o bem que as pessoas de fato fazem. Ou poderia questionar, como Nietzsche, por que, em primeiro lugar, deseja ser um cara bom, e revisar suas ideias do que isso realmente significa para o seu mundo interno e o seu mundo externo.
Mas agora deixo uma frase de alguém que não citei para não deixar o textinho extenso demais, mas que vai fazer você refletir também:
“O homem nunca faz o bem, a não ser que a necessidade o leve a fazê-lo.” Maquiavel