Mas eu recomendaria que você ignorasse esse conceito popular equivocado de que estoicismo é apenas “aguentar o sofrimento”; a coisa é um pouco mais sutil do que isso. Podemos pensar e realmente admitir que tudo está dando errado, mas também temos de refletir que existem muitas situações sobre as quais não temos controle algum.
Você planeja ir ao parque, chove. Você estaciona seu carro, alguém bate nele; e por aí vai. Tudo isso são acontecimentos externos sobre os quais você não tem nenhum poder, e o ponto é que o que realmente importa são aqueles sobre os quais você tem controle:
- Seus desejos e suas ambições,
- suas ações e seu comportamento
- e, mais importante, sua atitude em relação à vida.
Às vezes algo dá errado, mas coisas boas também acontecem, e não há nada que você possa fazer a respeito, exceto, talvez, aprender a não deixar que qualquer situação, boa ou ruim, o influencie demais. Talvez você esteja se sentindo particularmente mal por ter perdido “algo”, simplesmente porque deu valor demais a isso e deixou que “isso” o definisse, em vez de você mesmo se definir.
Quando você buscar se concentrar nos seus valores “internos”, quaisquer surpresas que a vida trouxer, você as enfrentará. Isso é produtivo até certo ponto: adotar a mentalidade certa é apenas um passo para lidar com sua situação atual.
Tente canalizar sua energia
Cerca de metade do que acontece está fora de nosso controle, mas temos o poder de decidir sobre a outra metade. Conclusão? Tente canalizar sua energia nisso.
Perder o emprego, por exemplo, não é sua culpa, mas você pode enxergar nisso uma oportunidade e tomar uma atitude. Talvez pudesse fazer uma reciclagem profissional e correr atrás de algo que sempre desejou. Ou, quem sabe, planejar uma pequena vingança contra seu ex-empregador, usando seus conhecimentos privilegiados para abrir uma empresa rival ou se juntar a um concorrente.
Pode ser que você se sinta melhor pensando dessa maneira, mas, se está tentando enfrentar a demissão, seria bom saber por que ela aconteceu. Ora, existem opiniões conflitantes sobre as causas do desemprego.
As leis de mercado
Podemos entender a situação e analisar que seu emprego era apenas uma pequena engrenagem no maquinário da economia maior, e a economia é controlada pelas leis de mercado, de oferta e procura. Vendedores produzem bens e os vendem com lucro, e compradores pagam por mercadorias que desejam e das quais necessitam.
Se a produção aumenta, os preços caem; se a procura aumenta, os preços sobem. No longo prazo, todos, compradores e vendedores, se beneficiam. Todos, menos os trabalhadores, poderíamos pensar.
Se existe uma superoferta de mão de obra, alguns trabalhadores serão demitidos. Mas os salários cairão e o custo da produção de mercadorias despencará, estimulando a demanda, o que no longo prazo será bom para todos.
Engrenagem de uma máquina
Mas talvez essa não seja a maneira ideal de se pensar a economia. Além do fato de que ela estará constantemente flutuando entre a euforia e a depressão, quem pagará o preço será a classe trabalhadora, pois ela é tratada como engrenagem de uma máquina, explorada e alienada, e, quando deixa de ser útil, é descartada.
A burguesia, os empresários capitalistas e donos de fábricas se beneficiam da existência de um grupo de trabalhadores desempregados, desesperados por um emprego, já que podem, então, lhes oferecer salários ainda menores. E foi por isso que você perdeu seu emprego.
Como agir, então, sobre algo tão negativo? Poderia usar seu tempo recém-adquirido para se tornar politicamente engajado, instruir a si e aos outros e ajudar a conscientizar as pessoas da necessidade de uma alternativa ao sistema capitalista injusto.
Uma perspectiva mais moderada
Essa visão pode contribuir para que você se revolte, mas seria recomendável obter uma perspectiva mais moderada. O fato é que as redundâncias são em grande parte causadas pela mecanização e, atualmente, pela tecnologia.
Hoje temos máquinas realizando o trabalho de, às vezes, centenas de operários, e com mais eficiência também, fazendo com que a produção aumente. Então, como age o empregador? Demite grande parte da força de trabalho e reduz os preços, enquanto isso, aqueles que ainda têm emprego estão trabalhando em horário integral ou cumprindo horas extras.