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JP Morgan vs. Theodore Roosevelt: o caso Northern Securities que fundou o antitruste moderno

JP Morgan vs. Theodore Roosevelt: o caso Northern Securities que fundou o antitruste moderno

Em fevereiro de 1902, J.P. Morgan, então o banqueiro mais poderoso do planeta, um homem capaz de reorganizar indústrias inteiras da sua mesa em Nova York, entrou na Casa Branca convencido de que resolveria um problema de negócios entre cavalheiros. Saiu de lá com uma lição que Wall Street jamais esqueceu: o governo americano não era mais um sócio dele. O embate com o presidente Theodore Roosevelt em torno de uma holding ferroviária chamada Northern Securities redefiniu a relação entre poder econômico e poder político nos Estados Unidos, e criou o precedente jurídico que, mais de um século depois, ainda sustenta processos contra gigantes como Microsoft e Google.

A era dos trustes e o Sherman Act: a lei antitruste que ninguém aplicava

Para entender aquela cena na Casa Branca, é preciso entender a América da virada do século. O fim do século XIX foi a era dos trustes: conglomerados gigantes que engoliam concorrentes até controlar setores inteiros da economia, petróleo, aço, ferrovias, açúcar. Existia uma lei antitruste desde 1890, o Sherman Act, mas na prática ela era letra morta. Os presidentes simplesmente não a usavam contra as grandes corporações, e os magnatas operavam com a certeza de que o Estado não iria se meter nos seus negócios.

J.P. Morgan era o símbolo máximo desse arranjo. O banqueiro tratava o governo americano como mais uma empresa na mesa de negociação, e, até então, essa aposta sempre havia funcionado.

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