No entanto, se você olhar profundamente, as eleições que mais importam já se realizaram no dia 2: a escolha do poder legislativo, em nível federal e estadual.
O legislativo é o mais poderoso dos poderes, tanto que ele vem em primeiro lugar na Constituição, no art. 2º. Relembrando que os poderes da União são: legislativo, executivo e judiciário.
Mas apenas o legislativo pode retirar do tabuleiro político o Presidente da República e um governador de estado, além de aprovar e tirar ministros do Supremo e desembargadores de Tribunal de Justiça.
A Câmara e o Senado formam o único poder que pode mudar a Constituição, desde que não seja cláusula pétrea. O STF não tem o poder de mudar a Constituição: ele pode interpretar, esclarecer, declarar uma lei inconstitucional.
Mas o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas podem mudar, criar e revogar leis, podem aprovar ou recusar propostas do Presidente e do Governador. Por isso a força do poder legislativo e de suas composições.
Suas intenções políticas e ideológicas já foram decididas no dia 2, um destino que já está escrito: maktub.
Um Congresso conservador
Lembrando que, no ambiente do Senado e da Câmara, depois de décadas de força da centro-esquerda, o eleitor escolheu este ano dar maior peso à direita e à centro-direita, e fez um Congresso conservador que assume no próximo ano.
A esquerda raiz ficou minoritária, com menos de 20% no Senado e pouco mais de 25% na Câmara. Isso faria um presidente de esquerda ter imensa dificuldade para governar, e o Congresso que foi formado nas urnas no dia 2 é o sonho de um presidente de direita.
Independentemente da sua posição política, esse é o esboço que o Brasil deve seguir nos próximos 4 anos.