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JFK e a Crise dos Mísseis de Cuba: como uma humilhação pública salvou o mundo de uma guerra nuclear

JFK e a Crise dos Mísseis de Cuba: como uma humilhação pública salvou o mundo de uma guerra nuclear

Em outubro de 1962, catorze homens reunidos numa sala da Casa Branca passaram treze dias discutindo, na prática, se o mundo ia acabar. No centro da mesa estava um presidente que decidiu contra todos os seus generais. E ele só teve a lucidez de fazer isso porque, dezoito meses antes, havia sido humilhado diante do planeta inteiro. Essa é a história de John F. Kennedy, e de como um erro monumental, bem digerido, pode se transformar na decisão mais importante do século vinte.

Quem foi John F. Kennedy: o corpo frágil por trás de um sobrenome poderoso

John F. Kennedy nasceu em 1917, em Massachusetts, segundo de nove filhos de Joseph Kennedy, um dos homens mais ricos dos Estados Unidos de sua época. O sobrenome abria portas, mas o corpo nunca acompanhou. Kennedy foi doente a vida inteira. Em 1947, recebeu o diagnóstico de Doença de Addison, uma insuficiência adrenal tão grave que, naquele mesmo ano, um padre foi chamado para dar a extrema unção. Ele sobreviveu, escondeu o diagnóstico e passou a vida adulta tomando de dez a doze medicamentos por dia, incluindo esteroides e analgésicos. O público jamais soube.

Antes da política, veio a guerra. Em agosto de 1943, no Pacífico, a lancha torpedeira que ele comandava, a PT-109, foi cortada ao meio por um destróier japonês às duas da manhã. Dois tripulantes morreram. Kennedy, com as costas destruídas, nadou por horas puxando um companheiro ferido pela correia do colete salva-vidas presa nos dentes, por mais de cinco quilômetros, até alcançar uma ilha. Anos depois, resumiu a experiência numa frase seca: “É assim que a gente se sente sendo morto.” Num desdobramento curioso, depois da guerra ele se tornou amigo pessoal do comandante japonês que afundou seu barco.

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