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Teoria do Prospecto: como dois psicólogos israelenses provaram que ninguém decide de forma racional

Teoria do Prospecto: como dois psicólogos israelenses provaram que ninguém decide de forma racional

Em 1979, dois psicólogos israelenses publicaram um artigo num periódico de economia demonstrando, com números, que o ser humano é péssimo de conta. Vinte e três anos depois, aquele trabalho virou um Prêmio Nobel de Economia. Só que um dos dois autores já estava morto havia seis anos.

A história de Daniel Kahneman e Amos Tversky é, ao mesmo tempo, a fundação de um campo inteiro do conhecimento e um caso raro de parceria intelectual levada ao extremo. Ela explica por que você segura a ação que despenca, por que o seguro do carro custa o que custa e por que quase toda assinatura digital começa com um período de teste gratuito.

Um menino em Paris e um paraquedista em Haifa

Daniel Kahneman tinha sete anos em Paris, em 1941. Filho de judeus lituanos, com o pai químico-chefe de uma fábrica de cosméticos, viveu a ocupação alemã com estrela amarela na roupa e toque de recolher. Décadas depois, ele contaria um episódio decisivo: voltava da casa de um amigo com o suéter virado do avesso para esconder a estrela quando cruzou com um soldado alemão de uniforme preto, das SS. O soldado o parou, pegou o menino no colo, abraçou, mostrou a foto de um garoto guardada na carteira e lhe deu algum dinheiro. Kahneman disse ter voltado para casa com uma ideia que nunca mais o abandonou: as pessoas são infinitamente complicadas e interessantes. O pai foi preso, solto, e morreu de diabetes em 1944, sem tratamento. A família chegou à Palestina em 1948.

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