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Jean-Paul Sartre e a recusa do Nobel: a lição de “má-fé” que todo gestor deveria conhecer

Jean-Paul Sartre e a recusa do Nobel: a lição de “má-fé” que todo gestor deveria conhecer

Em outubro de 1964, a Academia Sueca anunciou o nome de um escritor francês como vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Ele disse não. Não por modéstia, nem por estratégia de marketing. Recusou porque aceitar seria admitir que outra pessoa tinha o direito de dizer quem ele era. Jean-Paul Sartre foi o primeiro autor a recusar voluntariamente o prêmio, e o fez com um argumento simples: um escritor não pode se deixar transformar em instituição.

A história interessa a quem estuda decisões, e não apenas a quem estuda filosofia. Porque Sartre construiu toda a sua obra em torno de uma tese que o mundo corporativo passa os dias tentando driblar: a de que quase toda frase do tipo “não tive escolha” é, no fundo, uma escolha que a pessoa não quer assinar.

Uma infância dentro da biblioteca do avô

Sartre nasceu em Paris, em 1905. O pai, oficial da Marinha, morreu quando ele ainda era bebê. A mãe voltou para a casa dos próprios pais, e o menino cresceu dentro da biblioteca do avô, Charles Schweitzer, professor de alemão e tio de Albert Schweitzer, o médico que anos depois ganharia o Nobel da Paz por seu hospital na África.

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