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Karl Popper e a falseabilidade: o teste que separa ciência de achismo

Karl Popper e a falseabilidade: o teste que separa ciência de achismo

Toda vez que alguém diz que uma ideia não é científica, está usando um teste criado por um professor de escola secundária de Viena, em 1934. O teste cabe numa pergunta: o que provaria que isso está errado? Se nada pode provar, não é ciência. O nome dele era Karl Popper. E a pergunta serve para muito mais do que ciência.

Quem era

Popper nasceu em 28 de julho de 1902, em Viena. O pai era advogado, tinha uma biblioteca de milhares de livros, e a família era de origem judaica convertida ao luteranismo. A inflação depois da Primeira Guerra levou o dinheiro da família. Aos dezessete anos, em 1919, ele se aproximou do marxismo e saiu poucos meses depois, quando a polícia atirou em jovens socialistas numa manifestação e ele concluiu que tinha aceitado uma teoria perigosa sem examinar. Foi aprendiz de marceneiro, fez doutorado em psicologia em 1928 e virou professor de matemática e física numa escola secundária em 1930.

1919: uma fotografia e mil casos

Naquele ano, duas expedições inglesas, uma delas liderada pelo astrônomo Arthur Eddington, fotografaram um eclipse em Sobral, no Ceará, e na ilha do Príncipe, na costa da África, para testar a teoria da relatividade. Einstein dizia que a luz das estrelas entortaria ao passar perto do Sol, numa medida exata. Se a foto mostrasse outra coisa, a teoria caía. A foto mostrou o que ele tinha previsto.

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