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Carl Jung e o MBTI: como um colapso pessoal virou um mercado bilionário de avaliação de talentos

Carl Jung e o MBTI: como um colapso pessoal virou um mercado bilionário de avaliação de talentos

Um menino de onze anos talhou um boneco de madeira, escondeu no sótão da casa e passou anos escrevendo bilhetes secretos para ele. Décadas depois, esse menino entenderia que havia reinventado sozinho algo que povos inteiros faziam há milênios: um objeto sagrado, um talismã. O nome dele era Carl Gustav Jung, e essa suspeita, de que a mente individual repete padrões antigos e coletivos, viraria o trabalho de uma vida inteira e, sem que ele imaginasse, um dos maiores produtos do mercado corporativo de avaliação de pessoas.

Quem foi Carl Jung e como ele chegou à psiquiatria

Jung nasceu em 1875, numa aldeia suíça. O pai era pastor protestante que havia perdido a fé e não conseguia admitir isso nem para si mesmo. A mãe sofria de crises e passou temporadas internada. A casa era silenciosa do jeito errado. O menino cresceu convencido de que carregava duas personalidades dentro de si: uma criança comum e um velho de outro século.

Formou-se em medicina e foi trabalhar no Burghölzli, o hospital psiquiátrico da Universidade de Zurique, um dos mais respeitados da Europa na época. Ali fez algo raro para o padrão do período: tratou pacientes psicóticos como gente com história, e não como corpos sem sentido.

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