Eu te pergunto: como você pode ter sucesso em um cenário cheio de novidades e movimentos?
Para se dar bem em um cenário instável e imprevisível como esse, pessoas e empresas precisam estar com os pés no chão.
O que eu quero dizer com isso? Pé no chão de estar o tempo todo interagindo com esse cenário instável, aprendendo e se adaptando.
Vitamina S
Lembro que um amigo me disse que, em Minas, as pessoas dizem que quando uma criança está com o “pé no chão”, descalça, ela está tomando vitamina S, S de sujeira, desenvolvendo anticorpos para lidar com novos ambientes.
Seu corpo está se adaptando e criando novas competências, e assim essa criança constrói uma saúde forte para crescer e se tornar um indivíduo apto a enfrentar qualquer cenário novo, em qualquer lugar do mundo.
Por outro lado, o não pé no chão significa interagir mal com a realidade, porque surge o pensar de que tudo é dado por algo ou alguém.
É como se essa mesma criança nunca tivesse colocado os pés no chão e vivesse em lugares fechados e protegidos, não produzindo anticorpos. Assim, sua saúde vai ficando vulnerável, seu universo fica cada vez menor e mais limitado pela sua fragilidade.
O sucesso é vivo
Entenda que o sucesso é vivo: é o resultado da interação da sua essência com as circunstâncias da vida. Daí vem a ideia do business como um sistema vivo, em constante evolução.
Ninguém nasce pronto, nenhuma empresa nasce pronta. Nasce, sim, com um potencial de ser, que vai se desenvolvendo ao longo do tempo.
O fato é que, em geral, vivemos em cenários tão instáveis e imprevisíveis que qualquer mudança tinha que ser permitida pela hierarquia, e não porque o cenário mudou por si só.
Nossa sensibilidade acabou sendo anestesiada por falta de uso. O assunto em alta sempre foi competitividade, mas isso mudou. Como ir bem nessa incerteza e instabilidade do hoje?
Antifrágil
Um megainvestidor chamado Taleb criou o conceito Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos. Ele fala da empresa frágil, que é aquela que não sobrevive na cama elástica, e da empresa antifrágil, que não só sobrevive, mas também se beneficia com a maluquice da cama elástica.
Por quê? Porque ela é orgânica, sensível e, como um sistema vivo, aprende e evolui. Ao mesmo tempo que interage, ela fortalece sua competência de se adaptar, e é aí que se beneficia da instabilidade.
Sensibilidade anestesiada
Hoje existe a sensibilidade anestesiada, que é a atrofia muscular provocada por cenários estáveis e previsíveis. Ficar parado na cama por um mês causa atrofia muscular: os sistemas se enfraquecem e até mesmo morrem quando são privados de agentes estressores.
Agente estressor? Sim. Uma informação sobre o ambiente que dispara esse processo de se adaptar e fortalecer competências para garantir a evolução.
Identidade e pé no chão
O que eu quero dizer com tudo isso? É simples: sem pé no chão, sua identidade não tem agente estressor, mas também não tem evolução.
Para você ter sucesso nessa “cama elástica” dos dias de hoje, você precisa de identidade e pé no chão, cultivando a ideia do business como sistema vivo, sensível, interativo e pronto para a evolução.
* Isso vale para pessoas físicas e jurídicas.