Hoje, em tempo de instabilidade e incerteza, a gestão precisa muito mais do princípio feminino para funcionar como um sistema vivo, sensível e adaptativo.
O motivo? Eu explico.
Mais princípio feminino nas decisões
O ideal seria colocar massivamente o princípio feminino na gestão do negócio, com mais mulheres na liderança das empresas e, como consequência, mais princípio feminino nas decisões.
O fato é que o princípio feminino usa a intuição, é realista, tem a visão do todo. Por esse motivo, é ágil para ler os mais diversos cenários, fazer diagnósticos e reagir; é integrador, interativo e criativo.
Todos nós, homens e mulheres, temos as duas competências, do masculino e do feminino. Porém, o predomínio do princípio masculino em nossa cultura favoreceu a competição e não a cooperação, a razão e não a intuição, a fragmentação e não a integração.
E hoje isso não funciona mais.
Funcionar como nós
O modelo de gestão comando e controle precisa evoluir para fazer a empresa continuar viva e adaptativa. Por isso, é preciso unir os dois princípios, para funcionarem igualmente o tempo todo: pragmático e idealista, os dois em um.
Funcionar como nós. Nosso cérebro, por exemplo, tem as duas competências distribuídas nos dois hemisférios:
- um é mais racional, o outro é mais intuitivo;
- um vê as partes, o outro vê o todo;
- um usa mais a palavra, o outro, mais a imagem;
- um analisa, o outro sintetiza.
Quando esses dois hemisférios estão igualmente ativados, cria-se uma tensão positiva: nem racional nem intuitivo, e sim criativo. E a verdade é que esse é o nosso projeto original de fábrica; a natureza é assim.
A nossa cultura é “destra”
Mas na nossa cultura predominou o hemisfério esquerdo, que comanda o lado direito do nosso corpo. Por isso, a nossa cultura é “destra”.
Todo o prestígio é do destro: destreza é o que se faz direito, é o correto. A força da cultura destra é tão grande que, quando uma pessoa usa bem as duas mãos, é chamada de ambidestra, e não de ambicanhota, por exemplo. E esse é o mesmo desprestígio que recai sobre o princípio feminino no modelo de gestão comando e controle.
Equilíbrio dinâmico entre os opostos
Quando o modelo de gestão põe o pé no chão, ele cria uma saudável tensão entre os opostos:
- razão e intuição ao mesmo tempo,
- inovação e conservação ao mesmo tempo,
- longo e curto prazo ao mesmo tempo.
O que essa tensão significa? Significa que a empresa desenvolveu a competência do equilíbrio dinâmico, uma negociação permanente entre os dois princípios para encontrar a solução adequada para aquela circunstância, para aquela hora: pragmatismo idealista, idealismo pragmático, sempre em movimento.
Organizações ambidestras
Quando a gestão evolui de máquina para sistema vivo, portanto capaz de inovar e conservar ao mesmo tempo, seu nome muda de comando e controle para organizações ambidestras.
Essa é a revolução necessária para sobreviver no mundo vivo, instável e inovador: a biomimética.
Masculino e feminino, hemisfério direito e esquerdo, yin e yang, corpo e alma…
A ideia? Compreender que precisamos dos dois para ter vida e criatividade, com o objetivo de funcionar como um sistema vivo e, literalmente, dançar conforme a música.